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domingo, 22 de janeiro de 2017
Fotografia de impacto
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terça-feira, 17 de janeiro de 2017
"Brasil foi se tornando um criatório de maus cidadãos, de patifes, mentirosos, velhacos, corruptos, traiçoeiros e dirigentes de igual perfil.
ALÔ BRASILIA, QUE VERGONHA!
por Percival Puggina. Artigo publicado em
Em artigo anterior, com o título Cria Cuervos, mostrei como o Brasil foi se tornando um criatório de maus cidadãos, de patifes, mentirosos, velhacos, corruptos, traiçoeiros e dirigentes de igual perfil. Os cuervos, afirmei, são criados por quantos chamam bandido de herói e herói de bandido, combatem a polícia, riem da lei, proclamam a morte da instituição familiar, ridicularizam a virtude, aplaudem o vício, enxotam a religião, desautorizam quem educa ou usam a Educação para fazer política, e relativizam o bem e a verdade.
Observe as movimentações para eleição da presidência da Câmara dos Deputados. Quem for escolhido pela maioria de seus pares, além de comandar a Casa e exercer várias outras atribuições importantes, será o substituto eventual do presidente da República. A disputa se trava entre Rodrigo Maia e Jovair Arantes. O primeiro dirigiu aquela sinistra sessão em que - forçando um poquito pero no mucho a expressão - as dez medidas contra a corrupção se transformaram em regras desmedidas a favor dos corruptos. E fez o possível, Rodrigo Maia, para que tudo acontecesse conforme articulado nos bastidores, inclusive o tardio horário em que se desenrolou a escabrosa parte deliberativa da sessão. Do segundo, é dito que representa o centrão, grupo de deputados do baixo clero, cuja principal atividade parlamentar seria usar os votos e o poder do bloco para intercambiar favores que, na maior parte dos casos, não se distinguem de meros negócios. Tudo indica que estamos lidando com títulos de estampado valor de face.
A essas alturas, impõe-se perguntar se não há naquele plenário alguém com estatura para o cargo. É claro que há. E não são poucos, embora não sejam muitos nem em número suficiente, os homens e mulheres que honram seus mandatos e os exercem com integridade, voltados ao bem do país. No entanto, eventuais disposições para concorrer à liderança maior da casa, que entre eles surjam, tropeçam num grande obstáculo. Nesse parlamento dominado por indivíduos de péssimo caráter é muito difícil a uma pessoa de bem articular, ao seu redor, um grupo que viabilize suplantar, em votos, os atuais disputantes. Sei que há iniciativas. Tomara que funcionem. Mas o cenário que desenho é real.
A sociedade que cria corvos é a mesma que os elege. E a experiência já mostrou que, no atual quadro institucional e moral do país, se o Poder Judiciário não afastar do poder os criminosos, não há lei de "fidelidade partidária", nem da "ficha limpa", nem projeto das "dez medidas", nem o que mais ocorra à criatividade nacional, que consiga aprimorar o tipo de representação política da nossa sociedade.
Chega a ser ridículo. O Brasil foi levado para essa perdição como um adolescente conduzido por más companhias.
sábado, 5 de novembro de 2016
domingo, 25 de setembro de 2016
terça-feira, 20 de setembro de 2016
segunda-feira, 29 de agosto de 2016
"Quando o amor crescer em mim, eu vou voar" / Revista Bula

QUANDO O AMOR CRESCER EM MIM, EU VOU VOAR
Quando eu crescer, não quero ser igual a você. Fazer fortuna. Aplicar na bolsa. Comprar um carro asiático. Multiplicar o patrimônio da família. Criar estratégias contábeis para pagar menos impostos ao Governo. Esse mundo simplesmente não me interessa. Quando eu crescer, penso em me manter desgovernado o bastante para seguir o meu caminho. A minha declaração de imposto de renda, coitada, de tão pífia, vai caber num papel de balinha, rimada em versos adocicados ao som dos pífaros, provavelmente, um haicai. Quando eu crescer, não quero ser igual a você. Estudar em demasia até ficar burro. Tornar-me especialista em mundo-cão. Sonhar com metas, mercado e promoção. Achar poesia coisa de veado. Preencher planilhas Excel. Olhar para o chão, ao invés do céu, sempre que sair de casa pela manhã. Hei de tropeçar nas estrelas, ao raiar dos dias. Aliás, em tempo: quando eu crescer, não usarei despertadores, mas, que vai ter muito passarinho cantando na janela, ah, isso vai. Não me leve a mal, mas, quando o amor crescer em mim, eu vou voar. Isso não é devaneio. É promessa. Anote aí no seu diário de ocorrências estranhas. Quando eu crescer, nem de perto eu quero ser igual a você. Enxotar velho. Foder criança. Socar mulher. Torturar outro homem com a ajuda dos amigos. Tocar a música alto para abafar os gritos. Escute só: quando eu crescer, você já terá morrido, devidamente esquecido como toda e qualquer parcela insignificante da humanidade criada por Deus só para encher linguiça. Não posso aceitar que ele se ocupe com tamanha irrelevância, a ponto de conceder perdão e guarida aos canalhas. Quando eu crescer, não quero ser Deus, mas também não quero ser igual a você. Fundar uma igreja. Liderar homens fracos. Alimentar os cães raivosos que vigiam as fronteiras. Sobrevoar mantas de refugiados com um helicóptero da Cruz Vermelha. Atirar rango pela janela, num repetitivo gesto humanitário para se sentir menos pedra. Quando eu crescer, vou atravancar o seu caminho com as palavras mais macias que eu puder colher das lavouras poéticas de Manoel de Barros e Mario Quintana. Quando eu crescer, não quero ser igual a você, um sacana. Aplicar golpe. Tomar poder. Adestrar mísseis. Gozar planos de ocupação. Enxertar ogivas. Dizimar aldeias com um gás sufocante. Só mais um instante: quando eu crescer, você vai se perguntar, atônito, por que razão não se parece mais comigo. Daí será tarde demais. O amor que um dia eu senti por você já terá morrido. Criança diz cada coisa.
Ilustração: Zinaida Serebriakova
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